Camilo Pessanha - Estátua





Camilo Pessanha - Estátua


Cansei-me de tentar o teu segredo:

No teu olhar sem cor, de frio escalpelo,

O meu olhar quebrei, a debatê-lo,

Como a onda na crista dum rochedo.


Segredo dessa alma e meu degredo

E minha obsessão! Para bebê-lo

Fui teu lábio oscular, num pesadelo,

Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,


Esfriou sobre o mármore correto

Desse entreaberto lábio gelado...

Desse lábio de mármore, discreto,

Severo como um túmulo fechado,

Sereno como um pélago quieto.


Camilo de Almeida Pessanha (1867-1926)

foi um poeta português.









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